Departamento de TI x seu Novo Projeto

No Congresso e-Learning Brasil 2010/2011 Nick van Dan recebeu uma pergunta esperada quando fazia um overview de soluções de aprendizado baseado em tecnologia em “desvendando o futuro do aprendizado“:

- Nós já tentamos implementar vários novos projetos e-Learning na nossa empresa, mas a TI sempre é uma barreira.

Sem espanto, a resposta foi que isso é COMUM nas empresas.

A dificuldade que muitas empresas encontram em realizar novos projetos é reflexo de um departamento de TI pouco ou nada estratégico. O Plano de Ação não leva em consideração as Políticas (de segurança, de privacidade e outras) da tecnologia da informação que foi desenhada para o tipo de negócio e mercado daquela empresa. O resultado, são projetos que não contemplam as consequencias, desdobramentos, mudanças de configuração e das políticas da infra-estrutura de TI e dos sistemas de informação. É num ambiente complexo de TI que serão previstas e planejadas as mudanças.

Governança de TI em geral, está ganhando muita atenção recentemente, particularmente em relação às responsabilidades de segurança e privacidade dos dados. No entanto, há outras razões importantes para as instituições terem clara a estrutura de governança: comunicação. Há uma máxima conhecida “A culpa sempre é da comunicação” – ou da falta dela.

A tecnologia como fator de qualidade na EaD

Passando pelo blog BiosferaMS em EaD – Mitos e Verdades, comenta-se:

As instituições investem mais em tecnologia do que em conteúdo – VERDADE
Em 2007, os gastos com aquisição de tecnologia, laboratórios, softwares e serviços de internet consumiram 71,8% dos investimentos das instituições. Em 2009, além do investimento em tecnologia, também houve destaque para gastos com estrutura física (aquisição de equipamentos e acervos para bibliotecas e bancos de dados). Fredic Litto, presidente da Abed e pesquisador do tema há mais de 40 anos, ressalta que só essa infraestrutura não faz uma Educaçã a distância de qualidade. “Igualmente importante é o investimento em conteúdo. Por isso, no momento de procurar uma faculdade a distância, não cabe se deslumbrar com inúmeros itens tecnológicos apresentados e achar que o curso é bom pela simples presença deles“, alerta. Deve-se ficar de olho principalmente no material didático. As instituições picaretas costumam investir pouco, terceirizando essa produção, o que pode afetar de forma direta a qualidade.

# O que pensar das instituições de Ensino Superior que aderem à apostilas?

Isso nos faz pensar até que ponto um Ambiente Virtual de Aprendizagem com várias ferramentas, conteúdo rico em recursos audiovisuais e ligado com a Web 2.0 influencia na qualidade da EaD. Mas antes, quais são as tecnologias envolvidas na EaD?

O mundo da computação sempre foi dividido em hardware e software. Hardware, quanto mais, melhor. Software envolve a criatividade e boa engenharia, e é aí que entra o AVA bem construído e com boas ideias para tutores acompanharem e avaliarem alunos e alunos aprenderem com conteúdo interativo e outros alunos.

O desenvolvimento dos cursos é um fator importante, pois um conteúdo ruim com ilustrações, animações, personagens, jogos, vídeos, não-linear se sobressai a um conteúdo bom apostilado na percepção do participante. Nesse último caso, qualquer aula presencial poderia ser a distância – entenda longe da sala de aula -  se o professor entregasse o livro ao aluno e mandasse ele para casa estudar, à distância. Por isso estudar a distância não significa, obviamente, estar longe do professor ou da instituição, mas permitir que o aluno tenha autonomia para aprender, no seu tempo.

O AVA deve se adequar à proposta pedagógica, e esta deve estar ligada a ele e prever a utilização de eventos de interação síncronos (chat, videoconferência, ambiente 3D, e outros) e assíncronos (fórum, wiki, e outros) para que a experiência do usuário aluno seja próxima à da web atual, onde habitam redes sociais, microblogs, busca especializada, vídeos, mapas e enciclopédias. Junte tudo, e experimente um fazer um mashup.

Considere os pontos levantados como fatores de qualidade, tendo a certeza de que o sucesso do projeto de EaD depende da satisfação do aluno. Eles agradecem.

Sharepoint está para o e-Learning: o Sharepoint Learning Kit

Tenho acompanhado o Tony Karrer pelo seu blog eLearning Technology com a sua experiência utilizando o Sharepoint e as Web Parts para fazer atividades durante e após o curso. No início desse ano, em Top 10 eLearning Predictions for 2010: eLearning Technology, já tinha ficado surpreso ao ver o SharePoint entre as previsões e o uso dele com o e-Learning. As justificativas de que o pessoal de TI tem instalado cada vez mais o SharePoint nas intranets, a melhoria pela Microsoft nas versões e principalmente o aumento do social learning realmente deverá cumprir.

Apesar de ainda não ter abordado, mas experimentei o SharePoint Learning Kit que é um modelo que permite distribuir tarefas, fazer plano de cursos e currículos suportados pelo padrão SCORM 1.2/2004 com as facilidades do SharePoint, para definir usuários instrutores, alunos e monitores dos cursos.

Desenvolvido pela comunidade do CodePlex, ele é gratuito, o download é feito no site oficial e a instalação exige um pouco de conhecimento, mas é descomplicada seguindo o manual. Para quem precisa de um LMS rápido, integrado com os usuários da rede da empresa/instituição e ainda usufruir dos aplicativos de colaboração da plataforma, é uma ótima alternativa.

O e-reader substituirá os livros impressos?

Logo que saiu a novidade o Portal Educação já se interessou em adquirir um e eu passei alguns dias com o Kindle da Amazon. Ele até passou de mão em mão numa mesa redonda do 3º Simpósio Virtual de EaD em novembro do ano passado. Foi surpresa o escritor João Mattar achar um marco histórico Hélio Chaves da Secretaria de Educação a Distância do MEC manipulando o Kindle, enquanto ele mesmo não achar nada demais.

A versão internacional já veio configurada com o login de compra. Depois do nosso pedido, saiu a notícia de que uma liminar permitiria comprar o Kindle sem impostos. Depois de baixar algumas demonstrações de livros, alguns gratuitos e ler uns PDF’s que eu tinha preguiça de ler no computador, tirei algumas conclusões.

Vamos aos pontos positivos:

Agora os pontos negativos:

Dá para imaginar no futuro a grande pilha de livros substituída por um aparelho com esse? A moda da sustentabilidade diz que sim, derrubaríamos menos árvores. De outro lado, temos o mercado canibal de autores/editoras e ainda imposição de restrições sobre os direitos autorais e mecanismos eficientes sobre o controle de distribuição e compartilhamento. Ok, hoje eu posso emprestar o livro, mas não posso tirar cópia (xerox mesmo) para dar a alguém.

De um lado na CES 2010 houve a hype e a explosão de lançamento de e-readers de outros fabricantes. No outro, notícia da possibilidade de fracasso e até já foram chamados de prisão para o conhecimento.

O e-reader permite se ler mais por menos e guardar mais em menos. A opinião da maioria é definida pelo prazer de leitura. Papel. Ou, o dia que minha filha crescer e perguntar o que é isso.

Google Wave na Educação

Depois de ter feito uma apresentação no 3º Simpósio Virtual de Educação a Distância, chegaram muitos e-mails comentando sobre o assunto e surgiram várias waves que discutem desde “Possibilidades do uso do Wave na educação e integração com LMSs ” até “Meu LMS versão 2.0 mais wave”. Foi muito bacana a repercussão e ver como já havia outras pessoas interessadas.

Resolvi escrever o artigo da apresentação e o resultado está abaixo. Aproveitem as referências do final.

O e-mail é em 2010 um meio de comunicação arcaico. Criado em 1971, foi pensado como uma metáfora das cartas em papel enviadas pelo correio. O objetivo era trocar mensagens curtas de texto entre computadores com configurações ínfimas para os dias de hoje, em conexões lentas, de maneira assíncrona. Você pode esperar uma hora, ou um mês, para responder uma mensagem com poucos participantes. Uma discussão com mais de 10 pessoas pode se tornar um martírio de identação, citações multicoloridas, códigos com cabeçalhos de remetentes e destinatários.

Anunciado no fim de maio de 2009 e lançado em 30 de setembro de 2009, o Google Wave é confuso à primeira vista e logo nos faz pensar: O que fazer? O e-mail continuará a existir, mas o Wave já é o e-mail colaborativo e instantâneo, uma plataforma inovadora de comunicação e colaboração como um cliente de mensagens instantâneas muito poderoso, onde os envolvidos veem em tempo real o que você escreve. E as conversas têm elementos colaborativos multimídia como mapas, enquetes, vídeo, áudio e aplicativos.

Essas conversas, ou seja, as waves podem ser inseridas em qualquer blog ou site, fazendo a função até de uma wiki. Isso se torna atraente quando pensamos em utilizá-lo dentro de Ambientes Virtuais de Aprendizagem. Os programadores conseguem desenvolver seus próprios programas por meio da API, como jogos educativos em tempo real. As waves ainda possuem a função playback, onde você consegue rever toda conversa em ordem cronológica de como foi gerada, mantendo a organização do diálogo. O Wave faz a auto-correção ortográfica e sabe diferenciar palavras parecidas em contextos diferentes. Para cursos com alunos que falam mais de um idioma diferente, há a possibilidade de tradução em tempo real. Arrastar e soltar para compartilhar arquivos é como o computador: apenas arraste e solte arquivos dentro do Google Wave para outras pessoas.

Em uma das primeiras discussões do Google Wave na educação, Lore Baum da Ben Gurion University e Sam Boland (estudante de política da Occidental College, Los Angeles) reuniram mais de 100 pessoas na Wave in Class, entre professores, estudantes de Phd, profissionais de TI e universitários. As conclusões foram de que enquanto o Google Docs apenas compartilha documentos, com o Wave os estudantes conseguem colaborar em tempo real e obter melhor aproveitamento com isso. Em outra ocasião, 3 estudantes experimentaram o Wave em uma aula, e o resultado foram anotações mais completas do que se não tivesse sido usado.

As aplicações imediatas que visualizamos no uso do Wave em sala de aula são encontros síncronos para compartilhamento tipos de informações em formatos diferentes (conteúdo didático, mapas, arquivos, pesquisas e outros), discussões assíncronas para fora da sala de aula, integração com o ambiente virtual de aprendizagem, ferramenta de tutoria para responder dúvidas, verificação das contribuições em grupo (via playback), estudo de outros idiomas (tradução em tempo real) e brainstorming. Futuramente, gadgets e extensões customizadas deverão fazer parte da plataforma, assim como uma loja online com aplicativos educacionais no estilo da App Store da Apple.

Na educação a distância a contribuição deverá ser ainda mais significativa, considerando que os recursos possibilitarão avaliar melhor a participação do aluno em trabalhos em grupo e até ter mais envolvimento do tutor. Os LMSs deverão se preparar para receber as waves, mas por enquanto tudo pode ser colocado na página do Facebook, WordPress ou Blogger. Outra facilidade é que as instituições poderão rodar seu próprio servidor no Wave, por meio do Protocolo da Federação do Wave sem depender dos servidores do Google para quem não tem acesso externo.

Referências

Como funciona o Google Wave? http://www.youtube.com/watch?v=6qX7jSCMThk
What is Google Wave? http://www.youtube.com/watch?v=rDu2A3WzQpo
Google Wave: 15 features http://www.youtube.com/watch?v=xBzuuWZP
Google Wave Cinema: Pulpfiction http://www.youtube.com/watch?v=xcxF9oz9Cu0
http://webinsider.uol.com.br/index.php/2009/10/21/o-que-e-o-goggle-wave-e-por-que-e-importante/
http://www.sapweb20.com/blog/2009/10/sap%E2%80%99s-gravity-prototype-business-collaboration-using-google-wave/
http://imasters.uol.com.br/noticia/14616/tecnologia/google_wave_ja_tem_add-on_para_firefox/
http://www.readwriteweb.com/archives/google_wave_use_cases_education.php
http://jaredstein.org/2009/10/30/google-wave-ideas-for-teaching-and-learning/
http://thatsmith.com/2009/10/google-wave-add-on-for-firefox
http://wordpress.org/extend/plugins/wavr/
http://www.waveprotocol.org/whitepapers/google-wave-architecture
http://readwriteweb.com.br/2009/10/31/federacao-google-wave-qual-e-sua-importancia/
http://tecnoblog.net/news/2009/google-wave-sera-aberto-para-hospedagem-propria.htm
http://completewaveguide.com/guide/The_Complete_Guide_to_Google_Wave
http://danieltenner.com/posts/0012-google-wave.html
http://www.wired.com/geekdad/2009/10/5-tips-for-parenting-with-google-wave/
http://info.abril.com.br/noticias/internet/google-wave-tera-sua-app-store-diz-site-04112009-2.shl
http://olhardigital.uol.com.br/central_de_videos/video_wide.php?id_conteudo=9748&/GOOGLE+WAVE
http://www.soyouwanttoteach.com/google-wave-will-revolutionize-online-classroom-instruction/
http://edtechatouille.blogspot.com/2009/05/google-wave-education-first-impressions.html
http://www.eschoolnews.com/news/top-news/?i=59086
http://blog.mycollegesandcareers.com/2009/06/google-wave-in-education/
http://www.isteconnects.org/2009/06/03/the-google-wave-will-change-education-forever/
http://mashable.com/2009/09/05/google-wave-ideas/
http://otherfancystuff.blogspot.com/2009/09/how-google-wave-could-improve-education.html
http://www.bbc.co.uk/blogs/technology/2009/09/who_will_ride_googles_wave.html
http://lifehacker.com/5381219/google-waves-best-use-cases
http://mashable.com/2009/05/28/google-wave-guide/
http://donaldclarkplanb.blogspot.com/2009/06/learning-waves-from-google.html
http://www.c4lpt.co.uk/ReadingLists/googlewave.html
http://www.rsc-ne-scotland.org.uk/mashe/2009/11/black-wave/
http://www.whytwitter.co.uk/161/why-google-wave-is-dangerou/
http://chronicle.com/blogPost/How-to-Teach-With-Google-Wave/19501/?sid=wc&utm_source=wc&utm_medium=en
http://toponlineuniversityreviews.com/2010/25-tips-for-students-teachers-using-google-wave/
http://onlinedegreeprograms.org/blog/2010/the-ultimate-google-wave-guide-for-students-100-tips-tools-and-tricks/

LMS, e-Learning 2.0 e m-Learning, o que mudou

Já faz bastante tempo desde a publicação dos artigos A escolha do LMS para projetos de Ead, e-Learning 2.0 e Educação Móvel. Percebi que muita coisa mudou desde então, algumas tornaram-se realidade e outras nunca aconteceram.

Começando pelo mais antigo que fala sobre m-Learning, o iPhone chegou no Brasil mas a indefinição de plataforma de distribuição continua, sem a compatibilidade com Flash. Porém muitas empresas tem se virado em alternativas interessantes com vídeos e padrão XHTML. Já temos até Moodle compartível com iPhone.

O artigo de e-Learning 2.0 ficou ótimo se não fosse a forte influência recém-assistida da apresentação do Emílio no 13º  CIAED. Agora que estamos no 2.0 já chega de 2.0 e a tendência vai se cumprindo.

Falando de LMS, muita gente pediu e pretendendo depois manter uma lista de LMSs com alguns comentários, facilitando ainda mais a escolha além dos pontos colocados no artigo.

Primeiro post

Oba! Finalmente no pouco do tempo livre consegui preparar o blog para lançar de vez. Há tempos estava acertando os últimos detalhes do WordPress.

O nome é “Tecnologia da Educação” porque o objetivo será comentar um pouco do cotidiano e das pesquisas sobre tecnologias para a educação que usam tecnologia da informação (TI), e-learning e como se relacionam com o cenário da educação a distância.

Em sobre mim tem um link para as redes sociais que participo, e apesar de manter uma coluna no iMasters, Linha de Código e Artigonal, vou colocá-los aqui em primeira mão.

Here we go!